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EXPERIMENTOS, DOR E LEI: QUEM CONCORDA?

29-10

Mas afinal, é aceitável ou não a utilização de animais como cobaias em laboratórios? Essa polêmica não é nova, no entanto, depois da invasão do instituto Royal, no Jardim Cardoso em São Roque, a 66 km de São Paulo, é que muitas pessoas tomaram conhecimento dessa discussão. E como em todo assunto que gera controvérsia, há aqueles que concordam, aqueles que não concordam e os que preferem se manter em silêncio.

O instituto Royal declarou que tem seguido todos os protocolos nacionais e internacionais voltados para pesquisas com animais em laboratórios. A empresa também negou qualquer tipo de maus-tratos aos animais. Os ativistas, por sua vez, afirmaram ter encontrado animais em ambiente inadequado, sujo, além de animais mutilados e em situação de sofrimento.

O interesse da ciência em manter os testes em animais tem como argumentação forte garantir segurança para a saúde das pessoas que fazem uso de substâncias manipuladas em laboratórios. E, convenhamos, não há quem fique de fora desse apontamento. Por outro lado, a indignação dos ativistas quanto aos métodos que dependem da experimentação com animais também é legítima. Principalmente se considerada por aqueles que os veem como seres que têm direito à dignidade e à vida.

Quando os ativistas e protetores de animais afirmaram que os cães da raça beagle estavam sofrendo maus-tratos e o tratamento que lhes era dispensado deixava os dóceis animais mutilados, cegos e incapazes de terem uma vida normal depois das experiências as quais eram submetidos, pediam que os testes parassem e, do ponto de vista dos cientistas,  estavam criando um empecilho para o desenvolvimento de pesquisas há muito iniciadas e outras já planejadas cujos experimentos com animais são declarados indispensáveis. Entretanto, o motivador maior desse protesto parece não ser de conhecimento dos cientistas. Trata-se do fato de que os animais são seres sencientes. Será que os grandes cientistas, esses que se consideram os donos da verdade, sabem o que quer dizer isso? É possível desconsiderar de maneira tão fria quanto seus bisturis e agulhas um conceito tão relevante para a convivência do ser humano com os demais habitantes do planeta?

De acordo com Gary Francione, um ser senciente é um ser que possui uma consciência subjetiva, que possui interesses, um ser que tem preferências, desejos e querer. Esses interesses não precisam ser parecidos com os que os humanos possuem. Se um ser possui algum tipo de capacidade mental que consegue experimentar frustração ou satisfação ou qualquer outro interesse que um ser possa ter, então ele é um ser senciente. Isso lhe concede o direito moral de não ser usado como fonte de recursos e experimentos.

Por outro lado, os cientistas defenderam-se, baseados na argumentação de que o instituto Royal segue sempre todos os protocolos nacionais e internacionais voltados para pesquisas com animais em laboratórios. A mídia noticiou cientistas declarando que não há outro recurso para a avaliação de produtos farmacêuticos senão os testes em animais. Através de voltas e termos técnicos, foram categóricos ao afirmar que a ciência precisa continuar os experimentos utilizando a vida dos animais e que ainda não é possível abrir mão disso. Mostraram nomes de medicamentos importantes para deixar claro que, sem as tais as experiências, as pessoas não poderiam contar com o poder de cura dessas substâncias. Dessa forma, caberia às pessoas decidirem entre a vida do animal e sua própria vida.

Verdadeiramente, o que a posição dos cientistas nos suscita é a aplicação de uma frase atribuída a Nicolau Maquiavel, muito utilizada para apoiar certos comportamentos que fogem à ética e à moral: “os fins justificam os meios”. Nesse caso, aplicar substâncias nos animais, destruir seus órgãos, ferir sua pele, torná-los cegos ou com dificuldades motoras irreversíveis seria muito aceitável se considerarmos que sem esses procedimentos não teríamos nossos tão necessários medicamentos.

Os ativistas e protetores de animais reivindicam a busca urgente de outros processos para que se prossigam as pesquisas em laboratórios sem que com isso cientistas e pesquisadores precisem comprometer a integridade física e mental dos animais. Esses mesmos animais que se relacionam com o ser humano com tanto afeto! Esses animais que são capazes de serem mais leais e companheiros que qualquer pessoa. Seres que despertam em todos nós os melhores sentimentos e esperam em troca o direito à vida. Não será admitido por pessoa alguma que tenha vivido próxima a um animal, que outro seja torturado. Alguém que já foi recebido na porta de casa, depois de um dia cansativo de trabalho, pelo olhar brilhante e feliz de um peludo, passou horas numa clínica quando ele estava doente, sentiu seu amor por todos os membros da família; também aqueles que foram defendidos por esses animais de estimação, de amor, jamais vão se conformar em compactuar com qualquer atitude que seja claramente desrespeitosa e agressiva para com eles.

Portanto, é aconselhável que a ciência continue buscando outras alternativas com o objetivo de colocar um fim definitivamente nestes testes de laboratórios que consistam em sacrificar vidas inocentes e indefesas. Os protestos iniciados há muitos anos conquistaram algumas leis e a diminuição desses procedimentos. E, enquanto houver um ser humano compartilhando amor com um animal, essa indignação não se calará, até que nada disso ocorra mais. Mesmo que muitos se acovardem, sempre haverá aqueles que não se conformarão com tal crueldade e lutarão por isso.

Rose Mussi

Bichos Blog

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