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CÃES DOENTES NÃO BROTAM DO ASFATO; QUEM VAI RESPONDER POR ELES?

 

antes

depoisTodos os dias cruzamos com animais vagando pelas ruas, sem rumo, outros enroscados em algum canto sujo e fétido. Essas cenas tornaram-se comuns e poucas pessoas demonstram preocuparem-se com isso.

 

Estava, por insistência, sobrevivendo sobre um monte de entulhos, numa calçada da região de Venda Nova, uma cadelinha pequenina, muito debilitada, sem dúvida, abandonada. A vizinhança comovida pedia ajuda, mas ninguém arriscava colocá-la do portão para dentro. Também, com aquela quantidade de feridas espalhadas pelo corpo esquálido, certamente eram sintomas de leishmaniose, pensavam todos. – E essa doença horrorosa “pega”! – Informou com o olhos arregalados, dando um passo para trás, uma senhora que morava na casa em frente.

 

A leishmaniose é uma doença infecciosa, porém, não contagiosa, causada por parasitas do gênero Leishmania. Os parasitas vivem e se multiplicam no interior das células que fazem parte do sistema de defesa do indivíduo, chamadas macrófagos. A leishmaniose é transmitida por insetos hematófagos (que se alimentam de sangue) conhecidos como flebótomos ou flebotomíneos. Os flebótomos medem de 2 a 3 milímetros de comprimento e devido ao seu pequeno tamanho são capazes de atravessar as malhas dos mosquiteiros e telas.  O mosquito palha ou asa branca é mais encontrado em lugares úmidos, escuros, onde existem muitas plantas. A doença é grave, no entanto, há tratamento. Muitos animais doentes conseguem uma sobrevida, se forem administrados os medicamentos corretos de forma correta, assim que a doença for confirmada.

 

A maior parte da população brasileira ignora completamente informações básicas sobre a doença que, já há algum tempo, espalhou-se pelo país. Acredita-se que mais de 50% dos cães estejam infectados e, mesmo assim, as pessoas não se preocupam em buscar informações seguras sobre o assunto. O que gera uma questão grave, situação que já deveria ter “virado caso de polícia”. A calamidade é que muitos tutores de cães infectados descartam o animal para não pagarem o tratamento. É verdade que existem pessoas que não dispõem de recursos financeiros, mas o que nos causa indignação absoluta, revolta profunda, são as pessoas que poderiam tratar o animal e negam-se a assumir os gastos, jogando fora o animal como se fosse lixo, que elas clandestinamente depositam em lotes vagos e pelas ruas. Nada justifica deixar à própria sorte um ser inocente, indefeso e que tantas alegrias proporciona ao lar que o acolhe. Sempre há uma maneira de pedir ajuda aos amigos e dedicar todo carinho ao enfermo. O que apenas explica, de certa forma, é a ignorância, a falta de educação e cultura.

 

Aquela cadelinha, molhada de chuva, tão ferida quanto desnutrida e desidratada, olhos remelentos, um pedaço da orelhinha pendurado, assustada, a atração da meninada numa rua no bairro Lagoa, certamente, um dia, teve um lar – Cuidado!!! Ela é brava. Vai morder você. – E então, uma, duas, três tentativas… na quarta, a pobrezinha estava se aconchegando no colo que veio trazer mais uma chance. Com os olhinhos tristes, perdidos, ela é internada numa clínica e dias depois, o resultado do exame que diria que a pequenina estava mesmo com a terrível doença, chamada com intimidade por aqueles que lutam contra ela, de “leish”. Depois de vinte dias, na clínica, para os primeiros cuidados, a mocinha passou a receber o tratamento específico contra a leishmaniose. Hoje ela dorme paparicada, na mesma cama que um senhor muito afetuoso que a adotou com todo coração.

 

Todavia, não é a leishmaniose a única doença que condena animais ao abandono. E o alarmante nem são o nomes estranhos dos parasitas, vírus e bactérias. O que causa perplexidade nos que já abriram a janela para o mundo habitado por vários animais, além do homo sapiens, é a frieza, a indiferença com que os “donos” jogam fora o bicho doente. E pouco importa se é de raça ou tem pedigree. Se está doente, acarretará além de dedicação, despesas. Assim, vai para as ruas, perambular sozinho, sem ninguém que responda por ele.

 

Será excelente o dia em que todos os animais terão o seu registro e nesse constará o nome do seu tutor, endereço e documento de identidade. Isso mesmo, um chip que pode ser implantado e depois consultado em caso de animais “perdidos”. No entanto, para que isso funcione perfeitamente, é necessário que toda população se conscientize que um animal na rua representa uma pessoa, um tutor e responsabilidades de um cidadão que devem ser cobradas por lei. Esse triste quadro só vai mudar quando as pessoas assumirem sua iniciativa de trazerem um animal para junto de si com absolutamente tudo que isso implica.

Rose Mussi

 

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