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AMIZADE ENTRE O HOMEM E OS ANIMAIS: UMA VIA DE MÃO ÚNICA

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Anuncia-se ainda pelos quatro cantos do mundo que o cão seja o melhor amigo do homem. No entanto, a amizade implica conhecimento mútuo, lealdade e troca de afeição. Analisando  tal conceito, o comportamento humano tem estado muito aquém do aceitável.

Um programa de televisão apresentado há muito tempo pela ativista da causa animal, Luisa Mell, apresentou, dentre outras tristezas, um caso em que o cão arriscou sua vida para salvar o dito proprietário e esse, no final da história, abriu mão do seu salvador por não concordar em comprar os remédios necessários para o restabelecimento do animal, depois desse servir de escudo para o referido senhor. Casos como esses repetem-se todos os dias. Pessoas que utilizam animais para reprodução com fins lucrativos e depois jogam nas ruas as fêmeas à beira da morte; outras abandonam fêmeas prenhes ou com doenças graves e outra série de comprovações de que a amizade entre homem e cão não tem sido honrada por uma das partes.

Alguns registros históricos afirmam que a relação do homem com os cães começou há  milhares de anos. Nessa época, o homem, por medo do número de cães que rondavam suas “casas”, abatia os adultos. Os filhotes eram acolhidos e amamentados pelas mulheres que utilizavam o leite materno com que alimentavam os próprios filhos para cuidarem dos cãezinhos órfãos. Dessa forma, conclui-se que a mulher foi quem promoveu a aproximação desses animais e sua domesticação. Até então, os cães eram vistos como animais perigosos, selvagens. Mais adiante, seriam utilizados como auxiliares indispensáveis nas atividades de caça, das quais recebiam uma pequena parte para sua alimentação. Hoje, em 2013 D.C., os animais continuam sendo escravizados, explorados e maltratados. A paradoxal conduta humana frente ao coerente e claro comportamento animal ainda é desafio para os interessados em solucionar os problemas existentes entre o dito “animal racional” e as outras espécies. Se por um lado, as pessoas tentam aproximação com os animais, por outro, continuam a tratá-los a partir do princípio da utilidade. Se não servem para nada, não justifica cuidar deles.

Episódios incríveis ocorrem com pessoas envolvidas na luta pelos animais e ainda assim, os indefesos animais de rua continuam sofrendo e morrendo de maus tratos e violência. Há o caso do animal que foi socorrido por uma professora (Contagem – MG) que passava pela rua. Recebeu ração, água e uma vizinha improvisou uma coberta no canto do muro para abrigá-lo da chuva que caía. Esse cão viveu alguns dias ali, recebendo água e alimento até que desapareceu. Durante alguns meses, a professora buscou notícias, esperou encontrá-lo, mas nada… O cão tomou o caminho que sua “liberdade” lhe ofereceu. Numa manhã, por algum mistério ou estranho acaso, o cãozinho que havia recebido da professora o nome de Bruce, entrou pelo portão da escola a três quarteirões do local onde foi socorrido, sedento, muito magro, ferido, deitou-se num canto e foi logo percebido por alunos que imediatamente chamaram a professora. Ela veio, encontrou o cão, deu-lhe água nas mãos, pois o pobrezinho não conseguiu beber na vasilha. Após beber um pouco d’água, faleceu. Ninguém soube explicar onde sobreviveu o cão durante tantos meses até aquele momento! Também ninguém se arriscou a explicar porque Bruce deu o último suspiro depois de tomar a água nas mãos da amiga. Estaria buscando socorro mais uma vez? Teria voltado apenas para despedir-se da professora? Como a encontrou se ela chegava e saía de carro todos os dias? Enfim, trata-se apenas de um exemplo da forte ligação existente entre os animais e o homem. Talvez fosse mais correto dizer, entre os habitantes da terra.

As pessoas que se dedicam, ou aquelas que simplesmente se importam e param por alguns minutos para ajudar um animal, ainda não são a maioria. Constrangedoramente, é preciso assumir que grande parte da sociedade ignora o sofrimento dos animais, não os conhece e, para piorar o quadro, julga mal aqueles que já estão com as mentes e corações abertos.

Fossem os meios de comunicação noticiar histórias surpreendentes, envolvendo pessoas e animais, teríamos mais programas, textos edificantes, instrutivos e capazes de propiciar a todos um crescimento mais profundo e consistente. Sem esquecer que a sétima arte teria material sobrando para suas grandes produções, seguindo a linha de “Sempre ao seu lado”, “Marley e eu”, “Lassie” e outros.

A natureza e seus habitantes convivem e devem crescer juntos. Não há esse ou aquele mais importante. Diferem-se em necessidades, força, raciocínio e sensibilidade. Não há uma religião ou teoria científica que possa comprovar a superioridade de um ser sobre o outro. Cada qual apresenta sua habilidade. Características diversas nos tornam parte do todo que compõe o meio em que vivemos.

Enquanto o ser humano busca desesperadamente acumular bens materiais, os animais lutam pelo simples, entretanto, mais valioso bem: o direito à vida. Enquanto aquele oferece um pouco do muito que almeja, esse tem sua gratidão e lealdade sempre à disposição. Sendo assim, faz-se necessária uma atualização da sentença citada no início desse texto. O cachorro é o melhor amigo do homem, mas a recíproca não é verdadeira … ainda.

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