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A ARTE DE EDUCAR

Lecionar para adolescentes é uma arte. Para eles, não existe o meio termo: ou eles amam demais, ou detestam de morte! São extremamente observadores, críticos e criativos. Em meio à necessidade de se descobrir o mundo e a inocência que possuem, o convívio com eles fazem do trabalho do professor algo gratificante e prazeroso.

Nos meus treze anos de profissão, pude acompanhá-los de perto. O trabalho em sala de aula difere muito da aula particular. Estar nos dois ambientes exigiu de mim posturas peculiares.

Por anos trabalhei com o reforço escolar, aonde ia à casa dos meus alunos e isso me fez observar o núcleo familiar que eles estavam inseridos. Foram experiências ímpares, com fatos inusitados, engraçados e extremos, transformando o meu legado em algo muito além do que era proposto: ensinar e educar o aluno, bem como toda a sua família.

Certa vez, fui dar aulas na casa de um garoto de treze anos. Ele era bastante inteligente e curioso. A aula era sobre a história da civilização egípcia, pois ele tinha prova naquele dia. Enquanto ele estudava e lia a matéria na pequena mesa da cozinha, eu observava sua avó preparando o almoço.

A dona Joana, (a chamarei assim), cuidava de todos os afazeres domésticos e do neto, pois sua filha e genro trabalhavam fora. Ela era uma mulher sisuda, com idade avançada, educada e formada pela escola da vida, pois nunca teve a oportunidade de se sentar em uma carteira de escola. Mesmo assim, ela participava da aula que eu dava muito mais que seu neto. Perguntava, questionava, debatia e tentava arrancar de mim todo o conhecimento que ela pudesse em uma hora diária.

Quando o garoto terminou a leitura, comecei a explicar-lhe o conteúdo. Dona Joana parou de descascar as batatas e ficou ouvindo tudo atentamente. Num dado momento, o meu aluno questionou-me sobre a maneira de se mumificar uma pessoa, relatando todo o procedimento que escutou de sua professora na escola, para que eu observasse se estava certo o seu raciocínio. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, dona Joana o interrompeu com ar de reprovação e irritação, soltando a seguinte pérola: “Deixa de ser burro, menino! Pra se fazer uma múmia, se coloca o homem vivo num caixão, joga um monte de bichos nele (no caso escaravelhos) e depois tampa!” O garoto olhou pra mim com um olhar de terror e perguntou se era isso mesmo. Segurando o riso, expliquei a ela que isso é coisa do filme A Múmia e que seu neto estava certíssimo…

Em outra situação, estava dando aula para uma senhora idosa que fazia supletivo. Marília era um anjo na terra, com um coração bem maior do que podem imaginar, mas estressadíssima quando se tratava de exercícios e prova. Sempre que ela tinha matéria nova na escola, voltava para casa já achando que nunca aprenderia nada. Quando eu chegava, sempre perdia uns quinze minutos ouvindo suas lamúrias de que não ia conseguir entender a nova matéria para que pudesse acalmá-la.

Um dia explicava-lhe pacientemente língua inglesa: o verbo To Be, no presente simples. Para minha surpresa, ela até se familiarizou rápido com os pronomes e a conjugação irregular. Na sua apostila tinha um exercício que precisava fazer, era um texto, onde ela precisava circular todos os verbos que achasse e, posteriormente, traduzi-lo. Ela ia bem, eu traduzia as palavras mais difíceis e ela circulava os verbos. Decidi testá-la em sua capacidade de tradução. Tinha uma palavra: SPECIAL e perguntei a ela o que significava. Ela olhou para mim, repetia a palavra várias vezes, e falava que não sabia. Insisti novamente, era tão obvia que não aceitava o fato de que ela pudesse realmente não saber. Ela tornou a olhar pra mim com a testa franzida, repetiu três vezes a palavra e tornou a dizer que não sabia o que era. Por fim dei a dica: “Marília, está na cara!!!!” E ela, arregalando os olhos, me respondeu: “olhoooo!!!!”

É… Educar realmente é uma arte!

Denise Diniz

Blog Denise Diniz Educação

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